Apesar de selvagem e deserta, sombreada por amendoeiras e abricoteiros, esta praia já foi palco de uma grande fazenda no tempo do Império e que continuou próspera até a década de 80 quando ainda havia o presídio. Nesta época, por lá habitava um alemão de nome Peter, que além de construir um pequeno aeroporto de terra, fez estrada, plantou eucaliptos, cultivou roças, criou animais – alguns exóticos como os micos estrelas e os jacarés.
Aqueles encontraram o paraíso já que não têm predadores e estes, vendo secarem as lagoas do extinto mangue, saíram em busca de melhor habitat e alguns até já conseguiram alcançar outras praias, como a das Palmas.
Porém, muito antes do Descobrimento, por lá já habitavam os índios Tupinambás que além da aldeia da Baia de Locumen - assim classificada num antigo mapa da Ilha Grande, produzido pelo Capitão E. Mouchez, da Marinha Imperial Francesa em 1868 -, também habitavam outras praias próximas, como Sato Antônio, Caxadaço, Dois Rios, Castelhanos e Pouso.
Em todas essas praias ainda é possível vermos as marcas deixadas por afiamentos de machadinhas, pontas de flechas, remos, entre outros utensílios usados pelos índios.
Em Lopes Mendes, esses vestígios do passado estão esculpidos nas pedras que dividem a areia quase no final da praia. Logo após uma igrejinha abandonada pelos fiéis, mas que ainda mantém seus santos no altar a espera de um penitente.
Com a expansão imobiliária e a grilagem de terras por grandes construtoras e grupos financeiros, Lopes Mendes chegou a ser propriedade de um banco e esteve perto de ter um resort com acesso exclusivo aos hóspedes. Protestos não faltaram como o movimento “Nossa Praia” que por pouco não conseguiu abraçar toda a praia numa demonstração de amor e proteção a este nirvana.
Incontáveis navios já desembarcaram armas, drogas, whiskies entre tantas outras mercadorias em alto mar as quais eram recolhidas por pequenos barcos até a praia, de onde seguiam de avião para as mãos dos contraventores de terra.
Não faz muito tempo, a imprensa chegou a noticiar com fotos e filmagens esse precário aeroporto, feito de areia batida sendo usado pelo narcotráfico. Entretanto, mesmo sem sala de embarque e desembarque, ele foi muito usado para o pouso e decolagem de pequenos monomotores que traziam turistas não só para um mergulho em suas águas cristalinas, como também ilustres visitantes de praias particulares do arredor.
Felizmente, o grito de alerta foi ouvido pelas autoridades e a recente ampliação do Parque Estadual da Ilha Grande finalmente deu sinal verde para que Lopes Mendes continue a ser azul, verde, branco e dourado.
Certamente você ficará encantado ao visitá-la - como ficou a Tatiane Ribeiro, cujo depoimento mereceu fechar essa cortina:
“Acabei de voltar de Ilha Grande (Acabei mesmo! Cheguei em casa faz mais ou menos duas horas) e já entrei no site para matar a saudade. Votei em Lopes Mendes. É, sem dúvida, o lugar mais lindo em que já estive. Da trilha era possível ouvir o estrondo de suas ondas quebrando. Quando cheguei fiquei de boca aberta. É maravilhoso! A areia fina amaciando os pés, as árvores balançando com o vento, nenhuma construção atrapalhando a vista e ninguém gritando oferecendo produtos. Só você e a natureza. É só sentar e admirar. As ondas fortes são o espetáculo. A natureza dizendo: "respeite-me". É um lugar que ninguém deveria morrer sem conhecer. Mas, quando for, pelo amor de Deus!, se comer na mata, não deixe o seu lixo no caminho”...